Na complexa teia de processos e documentos que envolvem a gestão de uma empresa, o CNAE, ou Classificação Nacional de Atividades Econômicas, surge como uma peça fundamental.

Porém, o que é exatamente o CNAE? Por que é tão importante? E como ele se aplica ao seu negócio?

Ao longo deste artigo, nosso objetivo é tornar este tópico, por vezes complexo, simples e acessível, usando linguagem simples para orientar você.

Então, se você está pronto para entender tudo sobre o CNAE, vamos começar essa jornada juntos. Vamos lá?

O Que é o CNAE e Por Que Ele Foi Criado?

CNAE é a sigla para Classificação Nacional de Atividades Econômicas. Em termos simples, é um sistema de códigos que classifica as atividades econômicas que uma empresa pode exercer no Brasil.

Mas por que o CNAE foi criado? Na realidade, este sistema foi desenvolvido para padronizar a classificação das atividades econômicas em todo o país.

Antes de sua implementação, cada órgão governamental tinha seu próprio sistema de classificação, o que causava confusão e dificuldades de interpretação.

A adoção do CNAE trouxe consistência e clareza a este processo. Agora, todas as entidades públicas e privadas usam o mesmo sistema de classificação, tornando mais fácil a comparação e análise de dados econômicos em todo o país.

O CNAE também é essencial para determinar as obrigações fiscais e regulatórias de uma empresa, bem como seus direitos e benefícios.

Portanto, o CNAE é uma ferramenta fundamental para a organização, compreensão e gestão das atividades econômicas no Brasil.

Como é a Estrutura do Código CNAE?

Compreender como se estrutura o CNAE pode nos ajudar a entender melhor seu propósito e como ele é se aplica no mundo dos negócios.

Cada código CNAE é composto por sete dígitos, que se dividem em cinco níveis hierárquicos, a saber: seção, divisão, grupo, classe e subclasse. Cada nível possui um significado e um papel específicos na identificação da atividade econômica de uma empresa.

Começando pelo primeiro nível, a seção é representada pela primeira letra do código e indica o grande segmento de atividade da empresa, como “C” para indústrias de transformação ou “G” para comércio.

O segundo nível, a divisão, se determina pelos dois primeiros dígitos do código e refina ainda mais o setor de atividade dentro da seção. O terceiro nível, o grupo, é definido pelos três primeiros dígitos e especifica uma atividade econômica mais particular dentro da divisão.

O quarto nível, a classe, se representa pelos cinco primeiros dígitos do código e define a atividade econômica em um nível ainda mais detalhado. Por fim, a subclasse, representada por todos os sete dígitos, especifica a atividade econômica da empresa de maneira muito precisa.

Assim, a estrutura do CNAE segue uma lógica hierárquica que começa em um nível muito amplo e se afina até chegar a uma descrição muito específica da atividade econômica. Agora

Como Identificar o Código CNAE Correto para Sua Empresa?

Para identificar o CNAE correto para sua empresa, você deve primeiramente descrever detalhadamente a atividade econômica principal do seu negócio. Esta deve ser a atividade que gera a maior parte da receita da empresa.

Com essa descrição em mãos, você pode consultar a tabela de códigos CNAE disponibilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta tabela está organizada hierarquicamente, de modo que você começa procurando pela seção que corresponde ao grande segmento da sua atividade, depois a divisão, o grupo, a classe e, finalmente, a subclasse que descreve mais precisamente sua atividade econômica.

Caso sua empresa realize mais de uma atividade, é possível registrar atividades secundárias. No entanto, é importante lembrar que a atividade principal é a que definirá questões como a alíquota de impostos a ser paga.

A Importância do CNAE na Definição de Impostos

Os impostos que uma empresa precisa pagar variam consideravelmente dependendo da natureza de suas atividades econômicas, e é aqui que o CNAE entra em jogo. O código CNAE identifica a atividade principal de uma empresa, e é essa atividade que determina as obrigações fiscais da empresa.

Por exemplo, empresas em certos setores econômicos podem ser elegíveis para regimes tributários diferentes, como o Simples Nacional, que pode oferecer taxas de impostos mais baixas. Por outro lado, certas atividades podem ser sujeitas a impostos adicionais, como a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) ou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O CNAE também pode influenciar a base de cálculo e as alíquotas aplicadas a impostos como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Serviços (ISS).

Portanto, a escolha correta do CNAE é fundamental para a ideal definição dos impostos a serem pagos por uma empresa. Uma classificação imprecisa pode levar a um pagamento excessivo de impostos, ou pior, a problemas com a fiscalização devido ao pagamento insuficiente.

Mudanças no CNAE: Quando e Como Fazer?

Assim como o negócio pode evoluir e mudar com o tempo, o CNAE que melhor descreve a atividade principal da empresa também pode precisar de alterações.

Uma mudança no CNAE é necessária quando a atividade econômica principal da empresa muda significativamente. Isso pode ocorrer por diversos motivos, como a expansão para novas áreas, a alteração da fonte principal de receita ou até mesmo uma reestruturação completa da empresa.

Então, como fazer essa mudança? Primeiramente, você deve identificar o novo CNAE que melhor descreve a atividade econômica atual da sua empresa, seguindo o mesmo processo que mencionamos anteriormente.

Depois, você deve registrar a mudança na Junta Comercial e demais órgãos competentes, seguindo as respectivas normas e procedimentos. Isso geralmente envolve a alteração do Contrato Social da empresa e a atualização dos registros na Receita Federal.

Vale lembrar que a mudança de CNAE pode ter consequências importantes, como alteração nos impostos devidos, obrigações legais e até mesmo nos benefícios e incentivos fiscais aos quais a empresa tem direito. Portanto, você deve tomar essa decisão com cuidado e, preferencialmente, com o auxílio de um profissional qualificado.

Erros Comuns na Definição do CNAE e Como Evitá-los

Embora seja verdade que o CNAE pode influenciar o regime tributário da empresa, é fundamental escolher o código que melhor descreve a atividade principal da empresa, independentemente de considerações fiscais.

Escolher um CNAE apenas para se encaixar em um determinado regime tributário pode resultar em problemas fiscais e multas.

Algumas empresas realizam várias atividades econômicas. Nesse caso, além do CNAE principal, é possível (e muitas vezes necessário) registrar atividades secundárias. Ignorar estas pode resultar em uma descrição incompleta da empresa e possíveis problemas fiscais.

Como mencionamos anteriormente, se a atividade principal da empresa mudar significativamente, você também deve atualizar o CNAE. Não fazer isso pode levar a empresa a estar em desacordo com suas obrigações fiscais.

Definir o CNAE correto pode ser um processo complexo, especialmente para empresas com várias atividades ou que operam em setores pouco claros. Por isso, é sempre recomendável procurar a ajuda de um contador especializado.

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Se o 13º salário vira uma surpresa para o caixa da sua empresa todo mês de novembro, o problema pode estar no planejamento.

Planejamento do 13º salário: como proteger o caixa da empresa no fim do ano

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O impacto acontece porque uma parcela importante da folha de pagamento fica concentrada no final do ano. Para uma empresa que não reservou recursos antecipadamente, esse desembolso pode representar uma saída relevante em um intervalo curto de tempo. Ao mesmo tempo, fornecedores, impostos, comissões, bonificações e outras despesas sazonais também podem pressionar o caixa. Por isso, olhar apenas para o saldo bancário disponível no momento não é suficiente. O empresário precisa trabalhar com uma projeção de fluxo de caixa que considere as obrigações futuras. Dessa forma, consegue identificar antecipadamente se haverá recursos suficientes para pagar funcionários e demais compromissos sem comprometer a operação. Como funciona o cálculo do 13º salário? Os empregados contratados pelo regime da CLT têm direito ao 13º salário, calculado proporcionalmente aos meses trabalhados durante o ano. De forma geral, quem trabalhou durante todo o período recebe o equivalente a uma remuneração mensal. 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Por isso, planejamento contábil e planejamento financeiro precisam caminhar juntos. Uma contabilidade estratégica não olha apenas para o registro da obrigação. Ela também ajuda o empresário a compreender como essa despesa poderá afetar o fluxo de caixa e quais decisões podem ser tomadas antecipadamente para reduzir riscos. Quanto a empresa deve separar por mês? Uma estratégia prática consiste em estimar o custo anual do 13º, incluindo os encargos aplicáveis, e distribuir essa necessidade financeira ao longo dos meses. Imagine, por exemplo, que a empresa estime um desembolso total de R$ 30 mil. Se decidir construir essa reserva durante 12 meses, uma referência inicial seria separar R$ 2.500 mensalmente. O exemplo serve apenas para mostrar a lógica do planejamento. Na prática, o valor precisa acompanhar a realidade da folha. Se houver contratações, desligamentos, reajustes ou mudanças relevantes na remuneração dos colaboradores, a projeção deverá ser atualizada. Quanto mais cedo a empresa identifica uma diferença entre o valor reservado e a necessidade estimada, maior tende a ser sua capacidade de ajustar o caixa sem medidas emergenciais. Como evitar que a reserva do 13º seja usada para outras despesas? Um dos principais riscos ocorre quando a empresa até separa recursos, mas utiliza esse dinheiro durante o ano para cobrir outras necessidades. Nesse caso, o problema apenas é adiado. Uma alternativa de gestão é manter os recursos destinados ao 13º separados do caixa utilizado na rotina operacional. Isso ajuda o empresário a visualizar aquele valor como comprometido com uma obrigação futura. Além disso, a empresa deve acompanhar seu fluxo de caixa regularmente. Se o negócio precisa recorrer repetidamente à reserva destinada a obrigações trabalhistas para pagar despesas do dia a dia, pode existir um problema mais amplo de capital de giro, margem, estrutura de custos ou organização financeira. Esse sinal merece atenção. Por que setembro é um bom momento para revisar o planejamento? Mesmo empresas que não começaram a formar a reserva no início do ano ainda podem melhorar sua preparação. A partir de setembro, a proximidade dos pagamentos torna a revisão do fluxo de caixa ainda mais importante. Nesse momento, a empresa pode atualizar a estimativa do 13º, verificar quanto já possui reservado e calcular o valor que ainda precisará acumular até os pagamentos. Também é importante projetar outras despesas previstas para o período. Entre elas podem estar: Ao analisar todos esses compromissos em conjunto, o empresário obtém uma visão mais realista da necessidade de caixa. O que fazer quando a empresa percebe que a

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Nota fiscal rejeitada? Entenda as principais causas, saiba como corrigir a NF-e e veja como evitar novos erros no faturamento.

Nota fiscal rejeitada: entenda as causas, como corrigir e evitar novos erros

Uma venda foi concluída, o pedido está pronto para sair, mas a nota fiscal foi rejeitada pela SEFAZ. Além de atrasar o faturamento, esse tipo de situação pode afetar a expedição, a entrega ao cliente e até outros processos integrados da empresa. Quando a NF-e é rejeitada, o documento não foi autorizado. Por isso, o primeiro passo é identificar o código e a mensagem apresentados pelo sistema, entender qual informação provocou a rejeição e corrigir o problema antes de transmitir a nota novamente. Dados cadastrais incorretos, NCM ou CFOP incompatíveis, divergências de valores, campos obrigatórios ausentes e falhas no sistema estão entre as possíveis causas. Mais do que corrigir uma nota isoladamente, porém, o empresário precisa avaliar se o erro está na origem do processo. Um cadastro inadequado ou uma configuração tributária incorreta pode afetar diversas operações e gerar rejeições recorrentes. Neste artigo, você vai entender como agir diante de uma nota fiscal rejeitada e como uma gestão fiscal organizada pode reduzir riscos e tornar o faturamento mais seguro. O que acontece quando uma nota fiscal é rejeitada? A rejeição ocorre quando a SEFAZ identifica alguma inconsistência no XML antes de autorizar a NF-e. Enquanto o problema não for corrigido, a nota não possui autorização fiscal. Isso significa que a empresa não deve tratar aquele documento como uma NF-e válida para a operação. Por essa razão, entender o retorno do sistema é essencial antes de realizar qualquer alteração. Rejeição, denegação e autorização: qual é a diferença? Embora os termos possam parecer semelhantes, eles representam situações diferentes. NF-e rejeitada: a SEFAZ identifica alguma inconsistência nas informações enviadas e não autoriza o documento. Nesse cenário, a empresa deve localizar o problema, corrigir os dados e retransmitir a nota conforme o procedimento aplicável. NF-e denegada: o documento é impedido de ser autorizado por uma irregularidade fiscal relacionada ao emitente ou ao destinatário. Nesse caso, a mesma NF-e não deve simplesmente ser corrigida e reutilizada. A situação precisa ser analisada com cuidado e, quando necessário, com orientação contábil. NF-e autorizada: significa que a SEFAZ validou o XML e registrou a autorização. A empresa também deve verificar se o protocolo de autorização está corretamente vinculado ao documento. Conhecer essas diferenças evita decisões equivocadas e reduz o risco de tentar corrigir uma situação que exige outro procedimento. Como a rejeição pode afetar o faturamento da empresa? Uma nota rejeitada pode interromper várias etapas da operação. Dependendo de como o ERP e os demais sistemas estão configurados, a falta de autorização pode impedir a expedição, a geração adequada do DANFE, a atualização do estoque e a integração com contas a receber e logística. Além disso, transportar uma mercadoria com um documento sem autorização pode gerar problemas em uma eventual fiscalização. Também não adianta simplesmente alterar o DANFE. O DANFE representa as informações da NF-e e deve estar relacionado ao XML autorizado. Portanto, a correção precisa ocorrer no sistema emissor e ser novamente submetida à autorização. Quanto mais rapidamente a empresa identifica a origem da rejeição, menor tende a ser o impacto sobre o atendimento ao cliente e a rotina financeira. Quais são as principais causas de uma nota fiscal rejeitada? Cada código de rejeição indica uma inconsistência específica. Por isso, corrigir campos aleatoriamente pode aumentar o problema em vez de resolvê-lo. O ideal é analisar a mensagem de retorno e descobrir se a falha está no cadastro, na tributação, nos valores ou na comunicação do sistema. Dados incorretos do emitente ou destinatário Informações cadastrais incorretas estão entre os pontos que merecem atenção. CNPJ, CPF, razão social, endereço, município, UF e inscrição estadual precisam estar coerentes com a operação realizada e com os registros utilizados para emissão. Uma inscrição estadual incorreta ou uma classificação equivocada do destinatário como contribuinte do ICMS, por exemplo, pode comprometer a emissão. Antes de retransmitir, vale revisar: Se o erro estiver no cadastro do cliente, corrija a informação na origem. Dessa forma, você evita que o mesmo problema apareça nas próximas vendas. NCM, CFOP e tributação também exigem atenção O NCM identifica a mercadoria, enquanto o CFOP representa a natureza da operação realizada. Essas informações influenciam diretamente o preenchimento fiscal da NF-e. A empresa também precisa verificar a origem da mercadoria e os campos tributários relacionados à operação, incluindo CST ou CSOSN e os tributos aplicáveis. O regime tributário da empresa também interfere na forma de configuração do documento. Por isso, copiar parâmetros fiscais utilizados por outra empresa ou escolher um código apenas para eliminar uma rejeição pode criar inconsistências maiores. A análise deve considerar o produto, o tipo de operação, o estado de origem e destino e o perfil do destinatário. Quando houver dúvida, a orientação da contabilidade ajuda a reduzir riscos e evita alterações baseadas apenas em tentativa e erro. Divergências de valores e campos obrigatórios A SEFAZ também realiza validações sobre os valores informados na NF-e. Quantidade, preço unitário, descontos, frete, seguro, outras despesas, bases de cálculo, impostos e valor total precisam estar corretamente relacionados. Um desconto aplicado ao item e não refletido no total, por exemplo, pode gerar inconsistência. O mesmo pode ocorrer quando o frete ou outros valores não seguem a configuração esperada pelo sistema. Também é importante conferir numeração, série, modelo, finalidade do documento e demais campos obrigatórios da operação. Uma revisão antes do envio pode evitar retrabalho e atrasos no faturamento. E quando o problema está no sistema? Nem toda rejeição nasce de um erro de cadastro. O emissor pode estar utilizando configurações inadequadas, versões incompatíveis do leiaute, certificado digital inválido ou parâmetros desatualizados. Também podem ocorrer falhas de comunicação com o ambiente autorizador. Em situações desse tipo, a empresa deve consultar o status da NF-e antes de simplesmente transmiti-la outra vez. Afinal, pode acontecer de o documento ter sido processado, mas o retorno não ter chegado corretamente ao sistema. Registrar código da rejeição, horário, número da nota e demais informações do retorno facilita a investigação. Como corrigir uma nota fiscal rejeitada com mais segurança? O processo começa pela análise da mensagem apresentada pela SEFAZ.

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NCM e CEST no e-commerce: o erro silencioso que pode destruir sua margem e aumentar seus impostos

Cadastro incorreto no e-commerce: como proteger sua margem na Reforma Tributária

Vender mais nem sempre significa lucrar mais. No e-commerce, um cadastro incorreto pode fazer a empresa aumentar o faturamento enquanto perde margem silenciosamente em cada pedido. Com a Reforma Tributária, esse cuidado ganha ainda mais importância. A Lei Complementar nº 214/2025 instituiu o IBS e a CBS e trouxe mudanças que exigem adaptações fiscais, tecnológicas e operacionais das empresas. Por isso, não basta acompanhar alíquotas. O empresário precisa revisar a classificação dos produtos, verificar o NCM, atualizar custos, preparar o ERP e avaliar como tributos, créditos, fretes, comissões, meios de pagamento e devoluções afetam o preço final. O objetivo não deve ser apenas emitir notas corretamente. Um cadastro fiscal organizado também ajuda a proteger a rentabilidade, reduzir riscos e melhorar a tomada de decisão. Por que o cadastro de produtos pode afetar a margem do e-commerce? O cadastro do produto conecta diferentes áreas da empresa. Informações registradas no ERP podem alimentar a emissão da nota fiscal, o estoque, a apuração tributária, os relatórios gerenciais e até a formação dos preços. Quando esses dados estão incorretos ou desatualizados, o problema pode se espalhar por toda a operação. Um custo de compra antigo, por exemplo, pode fazer determinado produto parecer mais lucrativo do que realmente é. Da mesma forma, uma classificação fiscal inadequada pode gerar inconsistências tributárias e exigir correções posteriores. Por isso, revisar o cadastro não deve ser tratado apenas como uma tarefa do departamento fiscal. É também uma decisão de gestão. NCM exige atenção durante a Reforma Tributária A Nomenclatura Comum do Mercosul, conhecida como NCM, identifica e classifica mercadorias conforme suas características. A Receita Federal mantém o Sistema Classif, que reúne a tabela NCM, Notas Legais, Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e decisões de classificação fiscal, entre outros materiais de apoio. Isso mostra por que a escolha do código não deve ocorrer apenas com base no nome comercial do produto. Características como composição, função, material, apresentação e finalidade podem influenciar a classificação. Além disso, durante a implantação do IBS e da CBS, os documentos fiscais eletrônicos passam a incorporar informações específicas relacionadas aos novos tributos. As especificações oficiais da NF-e já contemplam códigos como CST-IBS/CBS e cClassTrib para identificar o tratamento tributário aplicável às operações. Portanto, o empresário precisa olhar para o cadastro de maneira integrada: NCM, descrição, unidade de medida e demais informações fiscais precisam conversar entre si e com a parametrização do sistema. Copiar o NCM do fornecedor pode trazer riscos Um erro bastante comum no comércio eletrônico é simplesmente replicar o NCM informado pelo fornecedor. Essa informação pode servir como referência, mas não deve ser aceita automaticamente como validação da classificação da mercadoria. O fornecedor também pode ter utilizado uma classificação inadequada. Além disso, produtos semelhantes comercialmente podem apresentar características técnicas diferentes. O mesmo cuidado vale para concorrentes. Encontrar determinado NCM em outro e-commerce não significa que ele seja necessariamente correto para o produto vendido pela sua empresa. A classificação fiscal deve refletir as características reais da mercadoria, e não a intenção de conseguir uma tributação mais vantajosa. Sempre que houver dúvida relevante, o ideal é reunir fichas técnicas, descrições detalhadas e documentação disponível e realizar a análise com apoio contábil ou tributário. Esse cuidado reduz o risco de perpetuar um erro por centenas ou milhares de vendas. Como priorizar a revisão do cadastro de produtos? Empresas com poucos itens conseguem realizar uma revisão ampla com maior facilidade. Já um e-commerce com centenas ou milhares de SKUs precisa definir prioridades. Em vez de revisar o catálogo aleatoriamente, comece pelos produtos capazes de causar maior impacto financeiro. Analise principalmente: Depois, cruze essas informações com os dados fiscais. Essa análise ajuda a encontrar produtos que parecem rentáveis quando observados apenas pelo faturamento, mas deixam uma margem muito menor depois de considerar impostos, taxas e despesas operacionais. Prepare o ERP para IBS e CBS A Reforma Tributária também exige atenção à tecnologia. As especificações dos documentos fiscais eletrônicos vêm sendo adaptadas para comportar as informações do IBS e da CBS. O Portal Nacional da NF-e já disponibiliza tabelas e códigos utilizados na classificação tributária dos novos tributos. Por essa razão, não é recomendável esperar que todos os problemas apareçam na emissão das notas para começar a conversar com o fornecedor do ERP. A empresa deve verificar se o sistema está sendo atualizado, quais campos serão necessários, como ocorrerá a parametrização e de que maneira as novas informações conversarão com os demais módulos. Fiscal, contabilidade, financeiro, comercial e tecnologia precisam trabalhar de forma integrada. Uma mudança realizada apenas no módulo fiscal, sem avaliar seus reflexos na precificação ou nos relatórios de margem, pode resolver uma obrigação operacional e criar outro problema de gestão. Preço de venda precisa considerar o custo real da operação Outro ponto crítico é a precificação. Muitos e-commerces ainda definem seus preços considerando basicamente o custo da mercadoria, uma estimativa de impostos e a margem desejada. Na prática, existem outros valores que consomem a rentabilidade. O empresário precisa avaliar custo de aquisição, tributos aplicáveis, créditos quando cabíveis, frete, embalagem, comissão do marketplace, tarifas dos meios de pagamento, parcelamento, anúncios, descontos, devoluções e logística reversa. Imagine um produto com boa margem antes das taxas do marketplace. Depois de considerar comissão, frete subsidiado, custo financeiro e devoluções, a operação pode entregar um resultado muito diferente daquele apresentado inicialmente pela planilha comercial. Por isso, uma política de preços eficiente precisa partir de dados atualizados. Analise a margem por canal de venda O mesmo produto não necessariamente apresenta a mesma rentabilidade em todos os canais. Uma venda realizada no site próprio pode ter custos diferentes de uma venda em marketplace. As comissões, campanhas promocionais, fretes e condições de pagamento mudam. Portanto, acompanhar apenas a margem média da empresa pode esconder problemas. Sempre que possível, avalie a rentabilidade por produto e por canal. Essa visão permite responder perguntas importantes: quais produtos realmente sustentam o lucro? Em quais canais determinadas mercadorias deixam de ser atrativas? Quais promoções aumentam o faturamento, mas destroem margem? Com dados confiáveis, o empresário pode ajustar preço, negociação

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