Vender mais nem sempre significa lucrar mais. No e-commerce, um cadastro incorreto pode fazer a empresa aumentar o faturamento enquanto perde margem silenciosamente em cada pedido.
Com a Reforma Tributária, esse cuidado ganha ainda mais importância. A Lei Complementar nº 214/2025 instituiu o IBS e a CBS e trouxe mudanças que exigem adaptações fiscais, tecnológicas e operacionais das empresas.
Por isso, não basta acompanhar alíquotas. O empresário precisa revisar a classificação dos produtos, verificar o NCM, atualizar custos, preparar o ERP e avaliar como tributos, créditos, fretes, comissões, meios de pagamento e devoluções afetam o preço final.
O objetivo não deve ser apenas emitir notas corretamente. Um cadastro fiscal organizado também ajuda a proteger a rentabilidade, reduzir riscos e melhorar a tomada de decisão.
Por que o cadastro de produtos pode afetar a margem do e-commerce?
O cadastro do produto conecta diferentes áreas da empresa.
Informações registradas no ERP podem alimentar a emissão da nota fiscal, o estoque, a apuração tributária, os relatórios gerenciais e até a formação dos preços.
Quando esses dados estão incorretos ou desatualizados, o problema pode se espalhar por toda a operação.
Um custo de compra antigo, por exemplo, pode fazer determinado produto parecer mais lucrativo do que realmente é. Da mesma forma, uma classificação fiscal inadequada pode gerar inconsistências tributárias e exigir correções posteriores.
Por isso, revisar o cadastro não deve ser tratado apenas como uma tarefa do departamento fiscal. É também uma decisão de gestão.
NCM exige atenção durante a Reforma Tributária
A Nomenclatura Comum do Mercosul, conhecida como NCM, identifica e classifica mercadorias conforme suas características.
A Receita Federal mantém o Sistema Classif, que reúne a tabela NCM, Notas Legais, Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e decisões de classificação fiscal, entre outros materiais de apoio.
Isso mostra por que a escolha do código não deve ocorrer apenas com base no nome comercial do produto.
Características como composição, função, material, apresentação e finalidade podem influenciar a classificação.
Além disso, durante a implantação do IBS e da CBS, os documentos fiscais eletrônicos passam a incorporar informações específicas relacionadas aos novos tributos. As especificações oficiais da NF-e já contemplam códigos como CST-IBS/CBS e cClassTrib para identificar o tratamento tributário aplicável às operações.
Portanto, o empresário precisa olhar para o cadastro de maneira integrada: NCM, descrição, unidade de medida e demais informações fiscais precisam conversar entre si e com a parametrização do sistema.
Copiar o NCM do fornecedor pode trazer riscos
Um erro bastante comum no comércio eletrônico é simplesmente replicar o NCM informado pelo fornecedor.
Essa informação pode servir como referência, mas não deve ser aceita automaticamente como validação da classificação da mercadoria.
O fornecedor também pode ter utilizado uma classificação inadequada. Além disso, produtos semelhantes comercialmente podem apresentar características técnicas diferentes.
O mesmo cuidado vale para concorrentes.
Encontrar determinado NCM em outro e-commerce não significa que ele seja necessariamente correto para o produto vendido pela sua empresa.
A classificação fiscal deve refletir as características reais da mercadoria, e não a intenção de conseguir uma tributação mais vantajosa.
Sempre que houver dúvida relevante, o ideal é reunir fichas técnicas, descrições detalhadas e documentação disponível e realizar a análise com apoio contábil ou tributário.
Esse cuidado reduz o risco de perpetuar um erro por centenas ou milhares de vendas.
Como priorizar a revisão do cadastro de produtos?
Empresas com poucos itens conseguem realizar uma revisão ampla com maior facilidade. Já um e-commerce com centenas ou milhares de SKUs precisa definir prioridades.
Em vez de revisar o catálogo aleatoriamente, comece pelos produtos capazes de causar maior impacto financeiro.
Analise principalmente:
- produtos responsáveis por uma parcela relevante do faturamento;
- itens com grande volume de vendas;
- mercadorias com margem de contribuição reduzida;
- produtos com classificação fiscal que gere dúvidas;
- itens vendidos intensamente em marketplaces;
- mercadorias com custos frequentemente alterados;
- produtos com elevado índice de devolução ou troca.
Depois, cruze essas informações com os dados fiscais.
Essa análise ajuda a encontrar produtos que parecem rentáveis quando observados apenas pelo faturamento, mas deixam uma margem muito menor depois de considerar impostos, taxas e despesas operacionais.
Prepare o ERP para IBS e CBS
A Reforma Tributária também exige atenção à tecnologia.
As especificações dos documentos fiscais eletrônicos vêm sendo adaptadas para comportar as informações do IBS e da CBS. O Portal Nacional da NF-e já disponibiliza tabelas e códigos utilizados na classificação tributária dos novos tributos.
Por essa razão, não é recomendável esperar que todos os problemas apareçam na emissão das notas para começar a conversar com o fornecedor do ERP.
A empresa deve verificar se o sistema está sendo atualizado, quais campos serão necessários, como ocorrerá a parametrização e de que maneira as novas informações conversarão com os demais módulos.
Fiscal, contabilidade, financeiro, comercial e tecnologia precisam trabalhar de forma integrada.
Uma mudança realizada apenas no módulo fiscal, sem avaliar seus reflexos na precificação ou nos relatórios de margem, pode resolver uma obrigação operacional e criar outro problema de gestão.
Preço de venda precisa considerar o custo real da operação
Outro ponto crítico é a precificação.
Muitos e-commerces ainda definem seus preços considerando basicamente o custo da mercadoria, uma estimativa de impostos e a margem desejada.
Na prática, existem outros valores que consomem a rentabilidade.
O empresário precisa avaliar custo de aquisição, tributos aplicáveis, créditos quando cabíveis, frete, embalagem, comissão do marketplace, tarifas dos meios de pagamento, parcelamento, anúncios, descontos, devoluções e logística reversa.
Imagine um produto com boa margem antes das taxas do marketplace. Depois de considerar comissão, frete subsidiado, custo financeiro e devoluções, a operação pode entregar um resultado muito diferente daquele apresentado inicialmente pela planilha comercial.
Por isso, uma política de preços eficiente precisa partir de dados atualizados.
Analise a margem por canal de venda
O mesmo produto não necessariamente apresenta a mesma rentabilidade em todos os canais.
Uma venda realizada no site próprio pode ter custos diferentes de uma venda em marketplace. As comissões, campanhas promocionais, fretes e condições de pagamento mudam.
Portanto, acompanhar apenas a margem média da empresa pode esconder problemas.
Sempre que possível, avalie a rentabilidade por produto e por canal.
Essa visão permite responder perguntas importantes: quais produtos realmente sustentam o lucro? Em quais canais determinadas mercadorias deixam de ser atrativas? Quais promoções aumentam o faturamento, mas destroem margem?
Com dados confiáveis, o empresário pode ajustar preço, negociação com fornecedores, mix de produtos e estratégia comercial com mais segurança.
Cadastro fiscal e contabilidade estratégica precisam trabalhar juntos
A Reforma Tributária não deve ser vista apenas como uma mudança na forma de recolher impostos.
Para o e-commerce, ela também cria uma oportunidade para revisar processos que muitas vezes cresceram sem padronização.
Esse é o momento de organizar cadastros, integrar sistemas, revisar custos e transformar informações fiscais em dados úteis para a gestão.
A Santa Contabilidade trabalha com soluções voltadas a empresas de e-commerce, conectando questões fiscais, tributárias e operacionais à gestão do negócio.
Uma contabilidade estratégica ajuda o empresário a entender o impacto das mudanças, identificar riscos e tomar decisões dentro da legalidade sem perder de vista a rentabilidade.
Proteja a margem antes que pequenos erros se acumulem
Um cadastro incorreto dificilmente parece um grande problema em uma única venda.
O risco aparece quando o mesmo erro se repete todos os dias.
Quanto maior o volume do e-commerce, maior pode ser o efeito acumulado de custos desatualizados, classificações inadequadas, parametrizações incorretas ou preços que ignoram despesas importantes.
Por isso, use a transição da Reforma Tributária para revisar os produtos mais relevantes, validar as informações fiscais, preparar o ERP e reconstruir a precificação com dados confiáveis.
Se você quer preparar seu e-commerce para IBS e CBS e entender como as mudanças podem afetar sua operação e sua margem, converse com a Santa Contabilidade. Uma análise contábil e tributária adequada pode trazer mais segurança fiscal, previsibilidade e clareza para as próximas decisões do negócio.
Conte com uma contabilidade estratégica durante a transição
Empresas que deixarem a preparação para o último momento poderão enfrentar divergências, falta de visibilidade sobre o caixa e dificuldades para conciliar vendas e recebimentos.
Por outro lado, quem revisar os processos com antecedência terá mais segurança para atravessar a transição, corrigir inconsistências e proteger a saúde financeira do negócio.
A Santa Contabilidade pode ajudar sua empresa a analisar os impactos da Reforma Tributária, revisar controles e preparar a gestão fiscal e financeira para as novas exigências.
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Contabilidade estratégica traz segurança e previsibilidade
A A Santa Contabilidade atua como parceira estratégica nesse processo e pode apoiar seu e-commerce no mapeamento das receitas, na revisão dos processos fiscais e na construção de cenários para a transição da reforma tributária. Fale com a equipe e prepare sua instituição para as novas regras sem comprometer a margem, e a previsibilidade financeira.
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