Posso ter mais de uma atividade no meu CNPJ?

Se você é um empresário ou está pensando em abrir seu próprio negócio, provavelmente já se perguntou: “Posso ter mais de uma atividade no meu CNPJ?” Essa é uma questão comum e compreensível, considerando a dinâmica do mundo dos negócios e a diversidade de oportunidades que podem surgir.

A resposta curta é: sim, você pode. No entanto, a questão completa é um pouco mais complexa e requer uma análise mais profunda.

Vamos ver isso de forma mais profunda? Nos acompanhe na leitura!

O CNPJ e suas múltiplas atividades

O Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, ou CNPJ, é basicamente a identidade da sua empresa. É através desse número único que o governo brasileiro identifica a sua empresa e controla suas obrigações fiscais e tributárias.

Mas o que muitos empreendedores não sabem é que o CNPJ não está restrito a representar apenas uma única atividade empresarial. Na verdade, é perfeitamente possível – e muitas vezes benéfico – ter mais de uma atividade registrada no mesmo CNPJ.

Quando você registra sua empresa, é necessário definir uma atividade principal, que é o foco principal dos negócios da sua empresa. Porém, além dessa atividade principal, você também pode registrar até 14 atividades secundárias.

Essas atividades secundárias podem ser complementares à atividade principal, ou podem ser completamente diferentes, dando à sua empresa a flexibilidade para operar em áreas diversas.

Por exemplo, imagine que você tenha uma livraria, que seria a atividade principal da sua empresa. Mas talvez você também queira vender café e doces para os clientes que estão comprando livros.

Nesse caso, você poderia adicionar “serviços de cafeteria” como uma atividade secundária no seu CNPJ.

É importante lembrar, no entanto, que todas as atividades registradas no CNPJ devem estar alinhadas com o objeto social da empresa, que é a descrição das atividades que a empresa se propõe a exercer, descrito no contrato social da empresa.

Regras e regulamentos para adicionar atividades ao seu CNPJ

Adicionar atividades ao seu CNPJ é uma tarefa que exige atenção, pois existem regras e regulamentos específicos a seguir. O primeiro passo é entender quais atividades podem se permitir para o seu tipo de empresa.

Cada atividade econômica tem um código específico na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Quando você adiciona uma atividade ao seu CNPJ, precisa escolher o código CNAE adequado. A escolha correta é essencial, pois cada código tem implicações fiscais e regulatórias específicas.

Ao adicionar atividades ao seu CNPJ, é importante lembrar que a atividade principal deve ser a que representa a maior fonte de receita da empresa. Além disso, a inclusão de atividades secundárias deve estar alinhada com o objeto social da empresa, conforme descrito no contrato social.

Algumas atividades são regulamentadas e exigem licenças ou permissões especiais para operar. Se você está pensando em adicionar uma atividade dessa ao seu CNPJ, será necessário obter as licenças apropriadas e cumprir todos os regulamentos dessa atividade.

Para adicionar ou alterar as atividades no seu CNPJ, você precisa realizar uma alteração contratual, e deve registrar na Junta Comercial. Este processo pode envolver a assinatura de um novo contrato social e o pagamento de taxas de registro.

Embora possa parecer um processo complexo, adicionar atividades ao seu CNPJ pode abrir novas oportunidades para a sua empresa. No entanto, é fundamental garantir que você esteja em total conformidade com todas as regras e regulamentos para evitar complicações futuras.

Como adicionar uma nova atividade ao seu CNPJ existente

Adicionar uma nova atividade ao seu CNPJ existente é um processo que exige alguns passos específicos. O primeiro é determinar o código CNAE da atividade que você deseja adicionar. Como mencionado anteriormente, cada atividade econômica tem um código CNAE correspondente. Você pode encontrar o código correto consultando a tabela de códigos CNAE disponível no site da Receita Federal.

Depois de determinar o código CNAE, o próximo passo é modificar o contrato social da empresa. O contrato social é um documento que contém todas as informações importantes sobre a sua empresa, incluindo o seu objeto social. Para adicionar uma nova atividade, você precisa alterar o objeto social para incluir a nova atividade. Isso geralmente requer a assistência de um contador ou advogado para garantir que as alterações estejam corretas e em conformidade com a lei.

Após a modificação do contrato social, é necessário registrá-lo na Junta Comercial do seu estado. Este processo geralmente envolve o preenchimento de formulários específicos e o pagamento de taxas de registro. Depois que a Junta Comercial aprovar a alteração, o CNPJ da sua empresa irá se atualizar para refletir a nova atividade.

Vale a pena mencionar que algumas atividades podem exigir licenças ou permissões especiais para operar. Se a nova atividade for uma dessas, você precisará obter as licenças necessárias antes de começar a operar nessa área.

Vantagens de ter mais de uma atividade no seu CNPJ

A diversificação permite que sua empresa explore novas áreas de negócio e diminua a dependência de uma única fonte de renda. Isso pode tornar sua empresa mais resiliente a flutuações do mercado e aumentar suas chances de sucesso a longo prazo.

Ter múltiplas atividades registradas dá à sua empresa a flexibilidade para se adaptar às mudanças do mercado. Se uma atividade não está indo tão bem, você pode se concentrar em outra que esteja tendo um desempenho melhor.

Ao operar diversas funções sob um único CNPJ, você pode economizar tempo e dinheiro que seriam gastos com a abertura e manutenção de várias empresas.

Quando você tem várias atividades no mesmo CNPJ, fica mais fácil aproveitar oportunidades de negócios que exigem uma combinação de diferentes competências.

Empresas com múltiplas funções podem ser vistas como mais robustas e confiáveis, melhorando a imagem da empresa aos olhos de clientes, fornecedores e investidores.

Casos em que recomenda-se ter atividades separadas para cada CNPJ

Se você pretende exercer atividades que são altamente regulamentadas ou que possuem regras fiscais muito diferentes, pode ser mais simples e seguro ter CNPJs separados. Isso facilita o cumprimento de todas as normas e evita complicações fiscais.

E se uma das suas atividades envolver riscos significativos, como responsabilidade legal ou endividamento, pode ser útil mantê-la separada para proteger suas outras atividades.

Mas se você estiver planejando passar partes diferentes do negócio para diferentes herdeiros, pode ser mais fácil fazer isso se as atividades estiverem registradas em CNPJs separados.

E se você pretende vender uma parte do seu negócio no futuro, ter um CNPJ separado para essa parte pode facilitar a venda.

Portanto, embora a flexibilidade de ter várias atividades no mesmo CNPJ possa ser atraente, é fundamental analisar cuidadosamente as implicações de cada opção.

Cada negócio é único e o que funciona para uma empresa pode não funcionar para outra. Por isso, é sempre recomendável buscar o conselho de um contador especialista no seu nicho antes de tomar uma decisão.

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Se o 13º salário vira uma surpresa para o caixa da sua empresa todo mês de novembro, o problema pode estar no planejamento.

Planejamento do 13º salário: como proteger o caixa da empresa no fim do ano

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O impacto acontece porque uma parcela importante da folha de pagamento fica concentrada no final do ano. Para uma empresa que não reservou recursos antecipadamente, esse desembolso pode representar uma saída relevante em um intervalo curto de tempo. Ao mesmo tempo, fornecedores, impostos, comissões, bonificações e outras despesas sazonais também podem pressionar o caixa. Por isso, olhar apenas para o saldo bancário disponível no momento não é suficiente. O empresário precisa trabalhar com uma projeção de fluxo de caixa que considere as obrigações futuras. Dessa forma, consegue identificar antecipadamente se haverá recursos suficientes para pagar funcionários e demais compromissos sem comprometer a operação. Como funciona o cálculo do 13º salário? Os empregados contratados pelo regime da CLT têm direito ao 13º salário, calculado proporcionalmente aos meses trabalhados durante o ano. De forma geral, quem trabalhou durante todo o período recebe o equivalente a uma remuneração mensal. 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Para o planejamento financeiro, mais importante do que apenas conhecer as datas é incluir esses desembolsos no fluxo de caixa com antecedência. Além do valor pago aos colaboradores, a empresa deve considerar os encargos relacionados ao 13º. Ignorar esses valores pode fazer com que a reserva financeira fique abaixo da necessidade real. Assim, a projeção precisa considerar o custo total estimado da obrigação, e não somente o valor que chegará ao funcionário. Provisão contábil e reserva financeira não são a mesma coisa Esse é um ponto essencial para o empresário. A provisão contábil registra, ao longo dos meses, a formação de uma obrigação futura. Ela contribui para que a contabilidade represente adequadamente as despesas do negócio. A reserva financeira tem outra função: garantir que exista dinheiro disponível no momento do pagamento. Em outras palavras, uma empresa pode ter realizado corretamente a provisão contábil e, mesmo assim, chegar a novembro sem caixa suficiente. Por isso, planejamento contábil e planejamento financeiro precisam caminhar juntos. Uma contabilidade estratégica não olha apenas para o registro da obrigação. Ela também ajuda o empresário a compreender como essa despesa poderá afetar o fluxo de caixa e quais decisões podem ser tomadas antecipadamente para reduzir riscos. Quanto a empresa deve separar por mês? Uma estratégia prática consiste em estimar o custo anual do 13º, incluindo os encargos aplicáveis, e distribuir essa necessidade financeira ao longo dos meses. Imagine, por exemplo, que a empresa estime um desembolso total de R$ 30 mil. Se decidir construir essa reserva durante 12 meses, uma referência inicial seria separar R$ 2.500 mensalmente. O exemplo serve apenas para mostrar a lógica do planejamento. Na prática, o valor precisa acompanhar a realidade da folha. Se houver contratações, desligamentos, reajustes ou mudanças relevantes na remuneração dos colaboradores, a projeção deverá ser atualizada. Quanto mais cedo a empresa identifica uma diferença entre o valor reservado e a necessidade estimada, maior tende a ser sua capacidade de ajustar o caixa sem medidas emergenciais. Como evitar que a reserva do 13º seja usada para outras despesas? Um dos principais riscos ocorre quando a empresa até separa recursos, mas utiliza esse dinheiro durante o ano para cobrir outras necessidades. Nesse caso, o problema apenas é adiado. Uma alternativa de gestão é manter os recursos destinados ao 13º separados do caixa utilizado na rotina operacional. Isso ajuda o empresário a visualizar aquele valor como comprometido com uma obrigação futura. Além disso, a empresa deve acompanhar seu fluxo de caixa regularmente. Se o negócio precisa recorrer repetidamente à reserva destinada a obrigações trabalhistas para pagar despesas do dia a dia, pode existir um problema mais amplo de capital de giro, margem, estrutura de custos ou organização financeira. Esse sinal merece atenção. Por que setembro é um bom momento para revisar o planejamento? Mesmo empresas que não começaram a formar a reserva no início do ano ainda podem melhorar sua preparação. A partir de setembro, a proximidade dos pagamentos torna a revisão do fluxo de caixa ainda mais importante. Nesse momento, a empresa pode atualizar a estimativa do 13º, verificar quanto já possui reservado e calcular o valor que ainda precisará acumular até os pagamentos. Também é importante projetar outras despesas previstas para o período. Entre elas podem estar: Ao analisar todos esses compromissos em conjunto, o empresário obtém uma visão mais realista da necessidade de caixa. O que fazer quando a empresa percebe que a

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Nota fiscal rejeitada? Entenda as principais causas, saiba como corrigir a NF-e e veja como evitar novos erros no faturamento.

Nota fiscal rejeitada: entenda as causas, como corrigir e evitar novos erros

Uma venda foi concluída, o pedido está pronto para sair, mas a nota fiscal foi rejeitada pela SEFAZ. Além de atrasar o faturamento, esse tipo de situação pode afetar a expedição, a entrega ao cliente e até outros processos integrados da empresa. Quando a NF-e é rejeitada, o documento não foi autorizado. Por isso, o primeiro passo é identificar o código e a mensagem apresentados pelo sistema, entender qual informação provocou a rejeição e corrigir o problema antes de transmitir a nota novamente. Dados cadastrais incorretos, NCM ou CFOP incompatíveis, divergências de valores, campos obrigatórios ausentes e falhas no sistema estão entre as possíveis causas. Mais do que corrigir uma nota isoladamente, porém, o empresário precisa avaliar se o erro está na origem do processo. Um cadastro inadequado ou uma configuração tributária incorreta pode afetar diversas operações e gerar rejeições recorrentes. Neste artigo, você vai entender como agir diante de uma nota fiscal rejeitada e como uma gestão fiscal organizada pode reduzir riscos e tornar o faturamento mais seguro. O que acontece quando uma nota fiscal é rejeitada? A rejeição ocorre quando a SEFAZ identifica alguma inconsistência no XML antes de autorizar a NF-e. Enquanto o problema não for corrigido, a nota não possui autorização fiscal. Isso significa que a empresa não deve tratar aquele documento como uma NF-e válida para a operação. Por essa razão, entender o retorno do sistema é essencial antes de realizar qualquer alteração. Rejeição, denegação e autorização: qual é a diferença? Embora os termos possam parecer semelhantes, eles representam situações diferentes. NF-e rejeitada: a SEFAZ identifica alguma inconsistência nas informações enviadas e não autoriza o documento. Nesse cenário, a empresa deve localizar o problema, corrigir os dados e retransmitir a nota conforme o procedimento aplicável. NF-e denegada: o documento é impedido de ser autorizado por uma irregularidade fiscal relacionada ao emitente ou ao destinatário. Nesse caso, a mesma NF-e não deve simplesmente ser corrigida e reutilizada. A situação precisa ser analisada com cuidado e, quando necessário, com orientação contábil. NF-e autorizada: significa que a SEFAZ validou o XML e registrou a autorização. A empresa também deve verificar se o protocolo de autorização está corretamente vinculado ao documento. Conhecer essas diferenças evita decisões equivocadas e reduz o risco de tentar corrigir uma situação que exige outro procedimento. Como a rejeição pode afetar o faturamento da empresa? Uma nota rejeitada pode interromper várias etapas da operação. Dependendo de como o ERP e os demais sistemas estão configurados, a falta de autorização pode impedir a expedição, a geração adequada do DANFE, a atualização do estoque e a integração com contas a receber e logística. 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CNPJ, CPF, razão social, endereço, município, UF e inscrição estadual precisam estar coerentes com a operação realizada e com os registros utilizados para emissão. Uma inscrição estadual incorreta ou uma classificação equivocada do destinatário como contribuinte do ICMS, por exemplo, pode comprometer a emissão. Antes de retransmitir, vale revisar: Se o erro estiver no cadastro do cliente, corrija a informação na origem. Dessa forma, você evita que o mesmo problema apareça nas próximas vendas. NCM, CFOP e tributação também exigem atenção O NCM identifica a mercadoria, enquanto o CFOP representa a natureza da operação realizada. Essas informações influenciam diretamente o preenchimento fiscal da NF-e. A empresa também precisa verificar a origem da mercadoria e os campos tributários relacionados à operação, incluindo CST ou CSOSN e os tributos aplicáveis. O regime tributário da empresa também interfere na forma de configuração do documento. Por isso, copiar parâmetros fiscais utilizados por outra empresa ou escolher um código apenas para eliminar uma rejeição pode criar inconsistências maiores. A análise deve considerar o produto, o tipo de operação, o estado de origem e destino e o perfil do destinatário. Quando houver dúvida, a orientação da contabilidade ajuda a reduzir riscos e evita alterações baseadas apenas em tentativa e erro. Divergências de valores e campos obrigatórios A SEFAZ também realiza validações sobre os valores informados na NF-e. Quantidade, preço unitário, descontos, frete, seguro, outras despesas, bases de cálculo, impostos e valor total precisam estar corretamente relacionados. Um desconto aplicado ao item e não refletido no total, por exemplo, pode gerar inconsistência. O mesmo pode ocorrer quando o frete ou outros valores não seguem a configuração esperada pelo sistema. Também é importante conferir numeração, série, modelo, finalidade do documento e demais campos obrigatórios da operação. Uma revisão antes do envio pode evitar retrabalho e atrasos no faturamento. E quando o problema está no sistema? Nem toda rejeição nasce de um erro de cadastro. O emissor pode estar utilizando configurações inadequadas, versões incompatíveis do leiaute, certificado digital inválido ou parâmetros desatualizados. Também podem ocorrer falhas de comunicação com o ambiente autorizador. Em situações desse tipo, a empresa deve consultar o status da NF-e antes de simplesmente transmiti-la outra vez. Afinal, pode acontecer de o documento ter sido processado, mas o retorno não ter chegado corretamente ao sistema. Registrar código da rejeição, horário, número da nota e demais informações do retorno facilita a investigação. Como corrigir uma nota fiscal rejeitada com mais segurança? O processo começa pela análise da mensagem apresentada pela SEFAZ.

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NCM e CEST no e-commerce: o erro silencioso que pode destruir sua margem e aumentar seus impostos

Cadastro incorreto no e-commerce: como proteger sua margem na Reforma Tributária

Vender mais nem sempre significa lucrar mais. No e-commerce, um cadastro incorreto pode fazer a empresa aumentar o faturamento enquanto perde margem silenciosamente em cada pedido. Com a Reforma Tributária, esse cuidado ganha ainda mais importância. A Lei Complementar nº 214/2025 instituiu o IBS e a CBS e trouxe mudanças que exigem adaptações fiscais, tecnológicas e operacionais das empresas. Por isso, não basta acompanhar alíquotas. O empresário precisa revisar a classificação dos produtos, verificar o NCM, atualizar custos, preparar o ERP e avaliar como tributos, créditos, fretes, comissões, meios de pagamento e devoluções afetam o preço final. O objetivo não deve ser apenas emitir notas corretamente. Um cadastro fiscal organizado também ajuda a proteger a rentabilidade, reduzir riscos e melhorar a tomada de decisão. Por que o cadastro de produtos pode afetar a margem do e-commerce? O cadastro do produto conecta diferentes áreas da empresa. Informações registradas no ERP podem alimentar a emissão da nota fiscal, o estoque, a apuração tributária, os relatórios gerenciais e até a formação dos preços. Quando esses dados estão incorretos ou desatualizados, o problema pode se espalhar por toda a operação. Um custo de compra antigo, por exemplo, pode fazer determinado produto parecer mais lucrativo do que realmente é. Da mesma forma, uma classificação fiscal inadequada pode gerar inconsistências tributárias e exigir correções posteriores. Por isso, revisar o cadastro não deve ser tratado apenas como uma tarefa do departamento fiscal. É também uma decisão de gestão. NCM exige atenção durante a Reforma Tributária A Nomenclatura Comum do Mercosul, conhecida como NCM, identifica e classifica mercadorias conforme suas características. A Receita Federal mantém o Sistema Classif, que reúne a tabela NCM, Notas Legais, Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e decisões de classificação fiscal, entre outros materiais de apoio. Isso mostra por que a escolha do código não deve ocorrer apenas com base no nome comercial do produto. Características como composição, função, material, apresentação e finalidade podem influenciar a classificação. Além disso, durante a implantação do IBS e da CBS, os documentos fiscais eletrônicos passam a incorporar informações específicas relacionadas aos novos tributos. As especificações oficiais da NF-e já contemplam códigos como CST-IBS/CBS e cClassTrib para identificar o tratamento tributário aplicável às operações. Portanto, o empresário precisa olhar para o cadastro de maneira integrada: NCM, descrição, unidade de medida e demais informações fiscais precisam conversar entre si e com a parametrização do sistema. Copiar o NCM do fornecedor pode trazer riscos Um erro bastante comum no comércio eletrônico é simplesmente replicar o NCM informado pelo fornecedor. Essa informação pode servir como referência, mas não deve ser aceita automaticamente como validação da classificação da mercadoria. O fornecedor também pode ter utilizado uma classificação inadequada. Além disso, produtos semelhantes comercialmente podem apresentar características técnicas diferentes. O mesmo cuidado vale para concorrentes. Encontrar determinado NCM em outro e-commerce não significa que ele seja necessariamente correto para o produto vendido pela sua empresa. A classificação fiscal deve refletir as características reais da mercadoria, e não a intenção de conseguir uma tributação mais vantajosa. Sempre que houver dúvida relevante, o ideal é reunir fichas técnicas, descrições detalhadas e documentação disponível e realizar a análise com apoio contábil ou tributário. Esse cuidado reduz o risco de perpetuar um erro por centenas ou milhares de vendas. Como priorizar a revisão do cadastro de produtos? Empresas com poucos itens conseguem realizar uma revisão ampla com maior facilidade. Já um e-commerce com centenas ou milhares de SKUs precisa definir prioridades. Em vez de revisar o catálogo aleatoriamente, comece pelos produtos capazes de causar maior impacto financeiro. Analise principalmente: Depois, cruze essas informações com os dados fiscais. Essa análise ajuda a encontrar produtos que parecem rentáveis quando observados apenas pelo faturamento, mas deixam uma margem muito menor depois de considerar impostos, taxas e despesas operacionais. Prepare o ERP para IBS e CBS A Reforma Tributária também exige atenção à tecnologia. As especificações dos documentos fiscais eletrônicos vêm sendo adaptadas para comportar as informações do IBS e da CBS. O Portal Nacional da NF-e já disponibiliza tabelas e códigos utilizados na classificação tributária dos novos tributos. Por essa razão, não é recomendável esperar que todos os problemas apareçam na emissão das notas para começar a conversar com o fornecedor do ERP. A empresa deve verificar se o sistema está sendo atualizado, quais campos serão necessários, como ocorrerá a parametrização e de que maneira as novas informações conversarão com os demais módulos. Fiscal, contabilidade, financeiro, comercial e tecnologia precisam trabalhar de forma integrada. Uma mudança realizada apenas no módulo fiscal, sem avaliar seus reflexos na precificação ou nos relatórios de margem, pode resolver uma obrigação operacional e criar outro problema de gestão. Preço de venda precisa considerar o custo real da operação Outro ponto crítico é a precificação. Muitos e-commerces ainda definem seus preços considerando basicamente o custo da mercadoria, uma estimativa de impostos e a margem desejada. Na prática, existem outros valores que consomem a rentabilidade. O empresário precisa avaliar custo de aquisição, tributos aplicáveis, créditos quando cabíveis, frete, embalagem, comissão do marketplace, tarifas dos meios de pagamento, parcelamento, anúncios, descontos, devoluções e logística reversa. Imagine um produto com boa margem antes das taxas do marketplace. Depois de considerar comissão, frete subsidiado, custo financeiro e devoluções, a operação pode entregar um resultado muito diferente daquele apresentado inicialmente pela planilha comercial. Por isso, uma política de preços eficiente precisa partir de dados atualizados. Analise a margem por canal de venda O mesmo produto não necessariamente apresenta a mesma rentabilidade em todos os canais. Uma venda realizada no site próprio pode ter custos diferentes de uma venda em marketplace. As comissões, campanhas promocionais, fretes e condições de pagamento mudam. Portanto, acompanhar apenas a margem média da empresa pode esconder problemas. Sempre que possível, avalie a rentabilidade por produto e por canal. Essa visão permite responder perguntas importantes: quais produtos realmente sustentam o lucro? Em quais canais determinadas mercadorias deixam de ser atrativas? Quais promoções aumentam o faturamento, mas destroem margem? Com dados confiáveis, o empresário pode ajustar preço, negociação

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